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24 de julho de 2011

Na terra dos alemães #2

Sufrágio Familiar (são livres de votar no preferido)

Passada uma semana vamos lá fazer contas à vida, ver o que temos e o que nos sobra.

O apartamento simpático com a entrada à lá II Guerra Mundial:

tem boas acessibilidades e fica muito perto do centro da cidade ao qual te podes deslocar de bicicleta, que é um transporte bastante usual nesta terra horizontal. A parte exterior do edifício de 4 andares está velha e deteriorada, as paredes estão pintadas a azul e os sacos amarelos do lixo não orgânico estão amontoados uns em cima dos outros e esperam pelos lixeiros, há pelo menos 2 dias. A zona é agradavelmente próxima do rio Danúbio, o qual podes percorrer a pé num dos poucos dias de sol que tiveres a sorte de apanhar. A área comum ou seja, a entrada, é assustadora; passas por um corredor sujo e sobes umas escadas cujas paredes já não veem arranjo há alguns anos - e pensas que afinal a entrada da tua casa em Portugal já não está a precisar de obras. No fim das escadas passas para outras escadas e parece que dentro do prédio há outro prédio, recordando uma matroska  russa. A entrada deste segundo é, ao contrário do que poderias prever, ainda pior do que a primeira. Faltam pedaços às paredes e o aspecto é visualmente degradante. Porém, isto é toda uma artimanha do senhorio astuto para que, ao entrares no apartamento, o consideres um luxuoso hotel no Dubai. Assim que passas e atravessas a porta envidraçada que permite a entrada a qualquer olhar forasteiro, encontras um extenso corredor que acompanha quartos, sala e cozinha do dito cujo. O apartamento está sobejamente decorado, apesar dessa decoração até ser interessante. A cozinha é moderna e está equipada com os eletrodomésticos necessários a qualquer perfeita dona de casa, e é a partir dela que podes passar para um pequeno terraço ou uma grande varanda quadrada, com vistas para o resto das casas que se consomem umas nas outras, nas traseiras do labiríntico quarteirão. A renda é acessível e é claro que aceitam Zizou´s.

A segunda visita seguiu-se.

A casa partilhada do adolescente homicida:

para quem não sabe, os alemães têm o hábito de alugar um dos andares das suas casas, enquanto eles vivem no outro. Ora, à partida não parece haver qualquer perturbação, desde que o teu vizinho do andar superior ou inferior não tenha ares de adolescente homicida, que a qualquer momento vai pousar a PS3, da qual já não tirava os olhos de cima desde que aprendeu a coordenar os polegares oponíveis com os dedos indicadores e desatar num ataque qualquer.
De todos os infortúnios que podemos esperar desta presença tão, como dizer (?), familiar, temos a entrada que é compartilhada com todos os sapatos novos e/ou usados. Depois, temos um primeiro andar com uma sala e telhado de madeira com traves, dois quartos e uma casa de banho XXL com jacuzzi, que é quase do tamanho da minha cozinha, só é pena a varanda não ser muito grande, mas podemos sempre pedir ao púbere o jardim da casa para fazermos uma pijama party.


A terceira visita...

A casa partilhada com o veterano de guerra com ar de nacional-socialista:

a casa parecia perfeita!... Na net.
O agente imobiliário atrasou-se 2 minutos e a senhoria (professora de alemão reformada), que provavelmente estaria a vigiar-nos há dez minutos, desde que chegámos, veio pontualmente ter connosco para nos abrir a porta e apresentar o andar. Não antes, sem conhecermos o seu marido, pai de sete, figura colossal de semblante afogueado e olhar cravado e perturbador. Um imenso gigante que disse adorar crianças e cães... para nosso ainda maior temor.
A casa, que fica no 1º andar, tem um terraço grande com vista para o quarteirão de casinhas familiares e donos extremosos, e uma varanda para a retaguarda do condomínio. A cozinha precisa de uma reforma e apenas o corredor tem altura suficiente para, a certa altura, não bateres com a cabeça no telhado.
Apesar dos diminuidores, o terraço virado a sul era um grande incentivo para um sim.


Das ist Deutschland; und es ist alles für heute!

6 comentários:

Mariana Pinto Leite disse...

Minha querida! Nada acontece por acaso! Todas essas dificuldades vos são impostas para que haja adernalina na vossa nova vida! Só darás o devido valor à pacata vidinha que cá tinhas, quando esses problemas forem todos ultrapassados.
Além de que... os alemães são UNS AMORES!!!!!!!!!!!!!!
Beijos enormes com imensas saudades

António Manuel disse...

Só visitaste três casas?

Ainda tens muito que andar...é certo que o tempo não é muito, mas tens que estabelecer uma meta de ver pelo menos duas casas por dia!
Tens que estar preprarada, porque, dificilmente, irás encontrar a casa dos teus sonhos... ou a das fotos dos anúncios da internet...
Participando no sufrágio, voto no "apartamento simpático", isto porque é o único que não é partilhado de alguma forma. Em todo o caso, vê bem a que distância fica o Danúbio, pois se no Verão o "bicho" parece idílico, como o Inverno às vezes transfigura-se...e a distância deve ser confortável!

Tila disse...

Zar(R)a,
começo a achar que não te sentirias completa se, no teu núcleo próximo de convivência, não atribuísses o Oscar de “jovem psicopata” a alguém! :p

Bem cara amiga, relativamente ao sufrágio, torna-se complicado ajudar, uma vez que te esqueceste de referir o elemento fundamental: a COR das casas!!! :p (Já sabes que ganham as amarelas ;)


P.S - Se mesmo assim a decisão não for fácil, comunica que eu reúno com a “brigada imobiliária” (Vera e Raquel) e vamos aí correr wohnungen contigo.

vitor almeida disse...

Das três hipóteses, a primeira parece a mais interessante.
No entanto, nada vos obriga a ficar nessa casa durante toda a vossa estadia em Ulm. Acredito que com o passar do tempo, surgirá uma outra oportunidade, mais ao vosso gosto. Talvez os "leões de Ulm" possam dar uma ajudinha.
Tentei saber a opinião do ZIZOU, e pelo olhar dele (porque não está para conversas) deduzo que o que fôr bom para vocês, é também para ele.

Força Miúdos. Um dia de cada vez.
Beijinhos

Calíope disse...

Vou participar do sufrágio também pelo círculo europeu! Eu voto na primeira, por várias razões:
1) por ser a primeira li com mais atenção do que as outras.
2) não irias viver nem na primeira entrada, nem na segunda, logo seria apenas lugar de passagem (cada vez que entrava na minha 2a casa aqui de Viena tinha a ideia que estava a entrar numa prisão...)
3) Não teres de dividir a casa com pessoas estranhas... eu até sou sociável qb mas não me dei assim tão bem em WGs
4) Confesso que para mim o Danúbio foi um ponto a favor

Mafalda disse...

Obrigada a todos os participantes, mais tarde darei notícias para saber conseguiram maioria absoluta.

Mariana: eu dou e darei sempre muito valor à vida pacata que tinha em Portugal, vou ter muitas saudades do que vivi aí. Estarei sempre ansiosa para sair do avião e ver o aeroporto Sá Carneiro para ir visitar a minha comadre, a minha afilhada e o meu sobrinho. Um beijo grande!

Tózinho: obrigada padrinho.

Tila: deixa cá ver, eu posso sempre mandar pintar o prédio todo de amarelo, tenho a certeza que o resto dos condóminos não se importaria. Acho que vou precisar da brigada aqui!!! Estão contratadas, com vocês era bem mais divertido. ;)

Papá: vou falar com os leões de ULM, eles também devem ter a sua quota parte nas eleições. Gosto muito de ti.

Calíope: percebes que a primeira não pode ser uma das razões com que possa contar.Mas as outras sim, sobretudo a terceira. Obrigada pelo testemunho acho que te vou chatear algumas vezes. :)